O codificador
Allan Kardec
1804 — 1869
Ele não fundou uma religião nem quis fundar. Era professor, autor de livros escolares de aritmética e gramática, e chegou ao Espiritismo já perto dos cinquenta anos — pela curiosidade de verificar se havia algo real por trás das mesas girantes que divertiam Paris.
Um professor antes de tudo
Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lyon, em 3 de outubro de 1804, filho de um advogado. Estudou na Suíça, em Yverdon, no instituto de Johann Heinrich Pestalozzi — um dos maiores educadores do século, para quem ensinar era formar a pessoa inteira, e não decorar lições. Rivail não foi apenas aluno: tornou-se colaborador dele.
Voltou à França e passou a vida ensinando. A partir de 1828 publicou obras didáticas de aritmética, geometria, gramática, química, física, astronomia e fisiologia. Falava alemão, inglês, italiano e espanhol além do francês. Em 1832 casou-se com Amélie Boudet, professora como ele, que o acompanharia até o fim.
Esse detalhe explica muito do que veio depois. Quem organizou a Codificação não era um místico: era um pedagogo com o hábito de perguntar, verificar e ordenar.
As mesas girantes e a decisão de verificar
Em meados do século XIX, Paris se divertia com mesas que se moviam e batiam respostas. Rivail foi levado a uma dessas reuniões por curiosidade e reagiu como reagiria a qualquer fenômeno: se aquilo era real, deveria obedecer a leis, e leis podem ser investigadas.
O método que adotou foi o de sempre. Formulou milhares de perguntas, submeteu-as a médiuns diferentes, em lugares diferentes, e comparou o que voltava. Só considerou assentado o que se repetia de forma coerente entre fontes que não se conheciam — o que a Doutrina passaria a chamar de controle universal do ensino dos Espíritos.
Foi ao publicar o resultado desse trabalho que adotou o nome Allan Kardec, deixando a assinatura de professor para os livros escolares.
Os onze anos que mudaram tudo
Entre 1857 e 1868, Kardec publicou as cinco obras que formam a Codificação. Não são cinco volumes de um mesmo tratado: cada um responde a uma pergunta diferente. O primeiro estabelece a filosofia; o segundo, a prática e os seus riscos; o terceiro, a moral; o quarto, a justiça divina; o quinto, a relação com a ciência.
Em paralelo, sustentou o movimento. A Revue Spirite circulou pela primeira vez em 1º de janeiro de 1858, e em 1º de abril do mesmo ano fundou a Société parisienne des études spirites. Dirigiu as duas até o fim da vida.
O fim, e o que ficou
Morreu em Paris, em 31 de março de 1869, aos 64 anos, trabalhando. Está sepultado no cemitério do Père-Lachaise, na 44ª divisão, sob um dólmen de granito — e Amélie repousa com ele.
A frase gravada ali resume o que ele passou onze anos tentando demonstrar: nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.
Em datas
- 1804Nasce em Lyon, em 3 de outubro, com o nome Hippolyte Léon Denizard Rivail.
- 1828Começa a publicar obras didáticas — aritmética, gramática, física, astronomia.
- 1832Casa-se com Amélie Boudet, também professora.
- 1857Publica O Livro dos Espíritos e passa a assinar Allan Kardec.
- 1858Funda a Revue Spirite em 1º de janeiro e a Société parisienne des études spirites em 1º de abril.
- 1861O Livro dos Médiuns.
- 1864O Evangelho segundo o Espiritismo.
- 1865O Céu e o Inferno.
- 1868A Gênese, a última das cinco obras.
- 1869Morre em Paris, em 31 de março, aos 64 anos.
Sobre estas informações
As datas e os fatos desta página foram conferidos em fontes públicas antes de serem escritos. Onde há divergência entre fontes, preferimos não afirmar. É a mesma disciplina que o assistente segue nas conversas: quando não há como verificar, é melhor dizer que não se sabe.